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Os otavinhos são personagens típicos do neoliberalismo. Precisam do desencanto da esquerda, para tentar impor a ideia do tango Cambalache: “Nada é melhor, tudo é igual”.

Os otavinhos são jovens de idade, mas envelhecem rapidamente. Passam do ceticismo – todo projeto de transformação deu errado, tudo é ruim, todo tempo passado foi melhor, a política é por natureza corrupta — ao cinismo — quanto menos Estado, melhor, quanto mais mercado, melhor. São tucanos, seu ídolo é o FHC, seu sonho era fazer chegar o Serra — a quem não respeitam, mas que lhes seria muito funcional — à Presidência. Vivem agora a ressaca de outra derrota, em barzinhos da Vila Madalena. Tem ódio ao povo e a tudo o que cheira povo — popular, sindicatos, Lula, trabalhadores, PT, MST, CUT, esquerda, samba, carnaval. Se consideram a elite iluminada de um país que não os compreende. Os otavinhos são medíocres e ignorantes, mas se consideram gênios. Uns otavinhos acham isso de si e dos outros otavinhos. Só leem banalidades — Veja, Caras, etc. —, mas citam muito. Têm inveja dos intelectuais, da vida universitária, do mundo teórico, que sempre tratam de denegrir. Tem sentimento de inferiorid...